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  Outros Números
 
 
  Nº 10 Outubro de 2004 / Ano 1  
 
  Editorial  
 

Latusa digital acolhe mais quatro trabalhos sobre “A política do medo e o dizer do psicanalista”. Os ângulos escolhidos pelos autores para enfocar o tema oferecem uma boa contribuição às nossas Jornadas clínicas.

Heloisa Caldas, em “Que cidade é essa? – Dogville”, em um texto envolvente, faz do comentário do filme impactante de Lars Von Trier, o filão para tratar da “lógica do desmesurado, do absurdo, do infinito e do cínico” que rege a política mundial na contemporaneidade. Através de três personagens: Tom, Grace e, de modo surpreendente, o cachorro são discutidas questões candentes: a queda dos ideais e algumas formas de gozo freqüentes na atualidade. Tom, misto de pastor e filósofo, cheio de “boas intenções” pretende levar sua comunidade à aceitação. Grace é adotada e passa ao gozo do sacrifício. O mais interessante, no entanto, é a comparação entre o gozo do cachorro, limitado ao seu osso, e as formas de gozo ilimitado dos personagens de Dogville, exemplos das que caracterizam estes tempos hipermodernos.

Em “A lei do silêncio e a escuta do psicanalista”, Maria Inês Lamy se pergunta, frente a pacientes que perderam parentes e, por medo, estão submetidos à lei do silêncio imposta pelo tráfico de drogas: “o que deve ser privilegiado na escuta desses sujeitos para que a fala deles não seja apenas um desabafo ou o regozijo de contar a violência sofrida e os detalhes de uma cena de horror?” No caso de um menino que, desde o assassinato do pai, se mantinha na posição de deficiente e de vítima das agressões dos colegas, ela demonstra como a injunção da lei do silêncio serviu para que sua mãe calasse não só o assassinato do pai, mas a culpa por ter desejado sua morte.

Mirta Zbrun enfatiza, em “Política do medo versus política lacaniana”, dentre as acepções possíveis, que política lacaniana se refere à do tratamento, tal como desenvolvida por Lacan em “A direção do tratamento”, designando os objetivos da formação dos analistas e também os da conclusão do tratamento. Se a política da psicanálise, contrapondo-se a do medo, o trata, Mirta passa a distinguir medo de angústia, trazendo as formulações de Freud e de Lacan sobre este afeto, e ainda contribuições de Miller em seu curso deste ano.

Em “Inconsciente: topografia e topologia”, Maria Angela Maia discute o conceito de inconsciente em Freud e em Lacan, e as formulações de Jacques-Alain Miller, em seu curso O lugar e o laço, referentes à distinção entre lieu e place. Conclui que, se nossa prática é orientada para o real, ela visa em última instância “o que está por trás da fantasia, fundadora do furo que permite a abertura e o fechamento do inconsciente, onde o sujeito seria apenas Um significante”.

Passemos à leitura

Elisa Monteiro

Texto na Íntegra

 

 

 


 
 
  Que cidade é essa? - Dogville  
 

Heloisa Caldas

 
 
  A lei do silêncio e a escuta escuta do psicanalista  
 

Maria Inês Lamy

 
 
  Política do medo versus política lacaniana  
 

Mirta Zbrun

 
 
  Inconsciente: topografia e topologia  
 

Maria Angela Maia