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  Outros Números
 
 
  Nº 37 Junho de 2009 / Ano 6 - ISSN 2175-1579  
 
  Editorial  
 

Latusa digital 37 contempla quatro excelentes textos que tratam de questões atuais da clínica psicanalítica e, por isso, se impõem a nós como objeto de estudo e pesquisa. 

Fernando Coutinho de maneira singular, dialoga com as primeiras aulas do curso de Jacques-Alain Miller (2008-2009) a partir do escrito de Lacan “A ciência e a verdade”. Desse modo, traz pontuações precisas de Miller quanto ao ensino de Freud e Lacan, marcando os pontos axiais desses dois ensinos, desde a spaltung constitutiva do sujeito. Salienta a preocupação de Miller quanto à discussão atual sobre psicanálise pura e psicanálise aplicada, psicanálise e a psicoterapia, e o que concerne à cura, evidenciado que a psicanálise pura visa o incurável, o que resta da operação analítica, tendo, no ato do analista, o seu marco que a distingue das psicoterapias. 

Maria Angela Maia marca de início a questão que fundamenta a aula 5 do mesmo curso de Miller: a perspectiva do sinthoma na prática analítica e no estatuto do psicanalista. É um texto vigoroso, no qual a autora procura dialogar com Miller através de alguns dos seus seminários e de outros autores. Destaca as estruturas clínicas, marcando a preocupação de Miller em saber se se trata de um artifício de classificação, ou se elas tratam verdadeiramente do real. Ressalta a questão da “clivagem entre estrutura e elementos de acaso prévios”, que Miller demarca em Lacan, e propõe pensá-la com a conceituação de real sem lei de Lacan e a de bricolagem proposta pelo estruturalismo de Lévi-Strauss. Isso lhe oferece fundamentos para diferenciar, em um quadro esquemático, conceitos que se inscrevem do lado do sinthoma ou do lado do inconsciente.  

Carlos Camargo trata o semblante e a verdade a partir da querela entre Platão e os sofistas sobre o lugar da verdade, para demonstrar que a verdade deve ser procurada por trás das aparências, no que faz semblante. Para a psicanálise o semblante denota, entre o simbólico e o real, a própria verdade do sujeito, a sua maneira de lidar com o insuportável da desproporção entre os sexos, de produzir um parecer – o que aparece, o que faz parecer. Nessa visada, a verdade do sujeito é aletéia na qual a marca do real se presentifica como a impossibilidade de tudo mostrar ou esconder. 

Jaime Araújo faz um grande percurso teórico para situar a observação de Miller quanto à necessidade de Lacan interpretar Freud, de remeter-se ao seu dizer através de seus ditos. Demarca a influência do positivismo na época do surgimento da psicanálise, que levou os analistas pós-freudianos a uma incompreensão do seu texto, por exemplo, a questão da primazia do falo sobre os genitais que culminou com a “querela sobre o falo”. Demonstra que a noção de temporalidade não cronológica, nachträlglich, no qual a causa sucede o efeito, é incompatível com as ciências da natureza. O autor avança com Lacan para pensar a pulsão e seu objeto onde deslinda a noção de mais-de-gozar.  

Vanda Assumpção Almeida
Secretária de edição de Latusa

 


 
 
  "Coisas de finesa em psicanálise"  
 

Fernando Coutinho

 
 
  Dinâmica conceitual na perspectiva do Sinthoma  
 

Maria Angela Maia

 
 
  Semblante e verdade  
 

Carlos Camargo

 
 
  Objetos só letra: de Lacan a Freud  
 

Jaime Araújo Oliveira