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  Nº 7 Julho de 2004 / Ano 1  
 
  Editorial  
 

Latusa nº 7 apresenta dois textos que repercutem de dois espaços institucionais distintos da EBP-Rio e provocam uma reflexão sobre o papel da psicanálise de Orientação Lacaniana na contemporaneidade. O artigo de Vera Lopes Besset foi apresentado no Seminário de Leitura da Orientação Lacaniana do Curso de 2003-2004 de Jacques-Alain Miller que versa sobre o tema da regulamentação da psicanálise. O texto de Massimo Recalcati ressoa a partir do Seminário de Investigação Clínica da EBP-Rio que trata das questões relativas à fundação de uma Clínica de Atendimento e Consultas no Rio de Janeiro.

Vera Lopes Besset considera que propor a regulamentação da psicanálise estimula o debate sobre a prática e a formação dos analistas. Do campo da psicoterapia, ela vislumbra a questão de alguns psicólogos, sob a égide do Conselho Federal de Psicologia, estarem elaborando uma proposta de regulamentação da atividade de psicoterapia sob parâmetros pseudocientíficos de exatidão e certeza a serviço de um controle social. E sustenta que os psicanalistas de Orientação Lacaniana devem delimitar os princípios de sua clínica e se esforçarem para fazer ex-sistir a psicanálise na cidade.

Maximo Recalcati afirma caber ao psicanalista de Orientação Lacaniana, por sua formação, o dever ético de defender o sujeito do inconsciente ante o discurso do capitalista e o discurso da ciência, visto que estes discursos têm promovido a “expulsão-anulação” do sujeito. A clínica dos chamados “novos sintomas” seria uma resposta e surgiram no Campo Freudiano instituições de psicanálise aplicada à terapêutica com o intuito de pesquisá-los.  

A riqueza da argumentação, da demonstração e conclusão de Recalcati na construção de seu texto se faz notar. Em primeiro lugar se trata de defender o sujeito do inconsciente. Depois das configurações necessárias para a sustentação de uma clínica contemporânea: a irredutibilidade dos novos sintomas à equivalência entre sintoma e metáfora, e o tratamento da demanda na prática das entrevistas preliminares. Ele pensa duas dimensões da demanda contemporânea que nomeia de “demanda convulsiva” desenganchada do desejo, e de “demanda melancólica”. E pergunta: como introduzir novos significantes para que sujeito do inconsciente continue existindo? Pensa também em “uma nova transferência” na qual a palavra parece impotente e a demanda fica inevitavelmente reduzida à exigência superegóica. Sua conclusão é que ante a impotência da interpretação e da ineficácia da simbolização do sujeito de sua história, caberia ao analista operar a retificação do Outro, ao invés da retificação do sujeito, pois a retificar o Outro visa implicar o sujeito em um laço com o Outro. Ele conclui com a questão: que Outro estamos à altura de oferecer ao sujeito?

Maria Angela Maia

 

 

 


 
 
  Debates sobre a regulamentação  
 

Vera Lopes Besset

 
 
  A questão preliminar na época do outro que não existe  
 

Massimo Recalcati